Simples Nacional 2027: pagar IBS e CBS por fora pode diminuir o imposto?

A Reforma Tributária vai trazer uma mudança importante para as empresas do Simples Nacional em 2027. Será possível continuar pagando IBS e CBS dentro do DAS ou escolher recolher esses dois tributos separadamente, pelo regime regular. A dúvida que surge imediatamente é simples: por que uma empresa escolheria pagar IBS e CBS fora da guia do Simples? Isso pode diminuir o imposto?

A resposta é que pode ser vantajoso em alguns casos, mas não significa automaticamente pagar menos. A principal diferença está na forma como funcionam os créditos tributários e em como a empresa se posiciona dentro da cadeia de compras e vendas.

O que muda para as empresas do Simples Nacional?

Com a Reforma Tributária, IBS e CBS passam a integrar o novo modelo de tributação sobre o consumo. Para quem está no Simples Nacional, haverá duas possibilidades.

A primeira é continuar com IBS e CBS dentro do próprio DAS, mantendo uma forma de recolhimento mais próxima do modelo atual. A segunda é permanecer no Simples Nacional, mas recolher IBS e CBS separadamente, pelas regras do regime regular.

Isso significa que a empresa não precisa sair do Simples Nacional para escolher a segunda opção. O que muda é apenas a forma como IBS e CBS serão calculados e pagos.

Por que alguém escolheria pagar IBS e CBS separadamente?

A principal razão está no sistema de créditos tributários. Em termos simples, empresas que estão no regime regular podem aproveitar determinados créditos relacionados aos impostos incidentes sobre suas compras.

Imagine uma empresa que compra produtos ou serviços para desenvolver sua atividade e depois realiza uma venda. Dependendo da operação e das regras aplicáveis, parte do IBS e da CBS relacionados às compras pode ser utilizada como crédito no cálculo do imposto devido nas vendas.

Na prática, a lógica se aproxima de uma conta em que o imposto gerado na venda é reduzido pelos créditos permitidos nas compras. Isso pode fazer diferença especialmente para empresas que possuem um volume relevante de aquisições e despesas que gerem créditos.

Então pagar IBS e CBS por fora diminui o imposto?

Não necessariamente. Essa é uma das informações mais importantes para quem está avaliando a mudança.

Escolher o regime regular de IBS e CBS não funciona como um desconto automático. O resultado depende do faturamento da empresa, do volume de compras, das despesas, das margens, da atividade exercida e do perfil dos clientes.

Uma empresa com muitas compras que geram créditos pode encontrar uma situação favorável. Já outra empresa com poucas aquisições aproveitáveis pode não encontrar a mesma vantagem. Por isso, não existe uma resposta única dizendo que pagar IBS e CBS separadamente será sempre melhor ou sempre mais barato.

A comparação precisa ser feita com os números reais de cada negócio.

Quem vende para outras empresas deve prestar mais atenção

Essa decisão pode ser especialmente importante para empresas que vendem para outras empresas, o chamado mercado B2B.

No novo sistema, os créditos de IBS e CBS podem influenciar a relação entre fornecedores e clientes. Dependendo do regime escolhido, a forma como esses créditos são gerados e aproveitados pode afetar custos, preços e até a escolha de fornecedores.

Por isso, uma pequena empresa que vende principalmente para consumidores finais pode ter uma realidade muito diferente de outra que fornece produtos ou serviços para indústrias, distribuidores ou empresas maiores.

Não significa que todo negócio B2B deva escolher IBS e CBS fora do DAS. Significa apenas que essas empresas têm um motivo adicional para fazer a comparação antes de decidir.

Preciso fazer alguma coisa em setembro?

Se a empresa já está no Simples Nacional e deseja continuar recolhendo IBS e CBS dentro do DAS, não precisa fazer uma opção específica agora.

Já quem pretende recolher IBS e CBS separadamente no primeiro semestre de 2027 precisa observar o prazo de opção previsto para setembro de 2026.

Por isso, o ponto principal não é simplesmente “fazer ou não fazer uma opção”, mas entender se existe alguma vantagem financeira ou comercial em mudar a forma de recolhimento.

O que a empresa deve analisar antes de escolher?

Antes de tomar qualquer decisão, vale olhar para alguns números básicos do negócio: faturamento, valor das compras, despesas, margem, fluxo de caixa e perfil dos clientes.

Também é importante entender quanto a empresa vende para pessoas físicas e quanto vende para outras empresas. Quanto mais o negócio estiver inserido em uma cadeia empresarial de compras e vendas, mais relevante pode ser a análise dos créditos de IBS e CBS.

Com essas informações, fica muito mais fácil comparar os dois cenários junto ao contador e entender qual modelo tende a fazer mais sentido.

Afinal, qual opção é melhor?

Não existe uma resposta igual para todas as empresas.

Para alguns negócios, manter IBS e CBS dentro do DAS pode continuar sendo a alternativa mais simples e adequada. Para outros, principalmente aqueles com compras relevantes e vendas para outras empresas, o regime regular pode trazer vantagens relacionadas ao aproveitamento de créditos e à relação comercial com os clientes.

Por isso, a Reforma Tributária não trouxe simplesmente uma oportunidade de “pagar menos imposto”. Ela trouxe uma nova decisão tributária que precisa ser analisada também do ponto de vista financeiro.

Antes de escolher, vale colocar os dois cenários lado a lado. Em vez de perguntar apenas “qual imposto é menor?”, talvez a pergunta mais útil seja: qual modelo funciona melhor para a realidade da minha empresa em 2027?

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